Memória

A memória prodigiosa de Eurícledes Formiga

Sua memória: quase a sua profissão

Pelo Brasil afora, desde que se desvinculou da família na adolescência, e que por conta de tantas andanças sem lar próprio, enfrentou toda a sorte de dificuldades no início de sua jornada.

Formiga vivia dos recitais de poesia e testes de memória, de cidade em cidade, cruzando as fronteiras dos estados brasileiros.

Foi o único poeta em todos os tempos que viveu exclusivamente de poesia, a sua profissão, o seu ganha-pão, seu modo de vida.

Dessa maneira tornou-se popular em sua época.

revista realidade eurícledes formiga  eurícledes formiga memora
Fonte: Revista REALIDADE, Abril de 1971 / Matéria “Sua memória é boa mesmo?”, ressaltando a memória de Eurícledes Formiga, entre as quatro mais mais privilegiadas do mundo.

O dinheiro que ganhava era igualmente repartido para sua sobrevivência e para o sustento da família no sertão paraibano, aos cuidados de sua mãe Ana Formiga Ferreira e de seus irmãos.

Se talento foi a razão de fazer amizades com pessoas influentes, por onde passava.

Admiravam o dom e a arte do jovem poeta nordestino. Sua agenda era repleta de recitais, convidado por célebre personalidades.

Eurícledes Formiga foi instrumento de louvação e aparição em notas literárias dos mais diversos jornais do País, como uma revelação da poesia brasileira, merecendo comentários dos mais altos nomes da nossa literatura.

Falava em público com sentimento e eloquência e a poesia lírica soava como música, tamanha perfeição em seus estilos variados, na metrificação e na regra da poesia contemporânea.

O homem com uma objetiva no cérebro

Para ilustrar suas apresentações mesclava com os versos os malabarismos da memória.

Pedia um mote para o público e compunha um belo poema de improviso, fechando a estrutura poética elaborada em um segundo com o mote apresentado.

Mais que depressa voltava seu poema improvisado de trás para frente, até o verso inicial !

Formiga ainda solicitava que alguém anotasse o poema em uma folha de papel ou em um quadro negro.

Numerava palavra por palavra. A quem dizia a palavra, Formiga logo descrevia o número, e a quem dizia o número, repetia a palavra.

Em seguida brincava com os versos como uma criança que conhece o seu brinquedo.

Falava a primeira palavra com a última, a segunda com a penúltima, a terceira com a antepenúltima, até fechar no meio.

Não nos esqueçamos de que a poesia em teste era a poesia feita, improvisadamente.

Aplaudido e ovacionado dava seguimento ao recital declamando seus poemas com brilhantismo e sentimento.

Vez por outra intercalava outros testes com números, efetuando somas, divisões, subtrações e cálculos matemáticos, demonstrando uma memória impressionante, sem igual.

Eurícledes Formiga viveu assim muitos anos, até se tornar jornalista profissional quando de sua chegada em São Paulo, no final do ano de 1951.

Jamais deixou de realizar seu recitais por todo o Brasil. Fez uma série de recitais no Moulin Rouge, em Paris, inclusive.