A mediunidade

A  mediunidade de Eurícledes Formiga

O chamamento da mediunidade

A mediunidade sempre esteve presente na vida de Eurícledes Formiga, muito embora adormecida e, posteriormente, ignorada.

1958

Procurou a Federação Espírita de São Paulo para conhecer os fenômenos que ocorriam com ele, mas não seria ainda desta vez que teria tocado o coração.

Na década de 60, residindo em Brasília, passou a freqüentar esporadicamente a Comunhão Espírita Cristã.

Notadamente, quando os fenômenos mediúnicos se acentuavam, recebia a orientação do dirigente da casa, Viana Ataualpa Barbosa.

A primeira vez que caiu em transe mediúnico inconsciente, transmitiu bela mensagem psicofônico sobre o Evangelho, o qual não conhecia.

O Frei Martinho

Annabel, sua mulher, também desconhecia os processos mediúnicos.  Impressionou-se.

Sentia intuitivamente tratarem-se de várias personalidades, que se intercalavam. Sabia que seu marido não tinha elevado teor de espiritualidade.

O episódio repetia-se com assiduidade, com outros espíritos, frequentemente obsessores. Por último, sempre comparecia o espírito daquela pela primeira vez.

Mais tarde, soube tratar-se de Frei Martinho, um frade franciscano que viveu no Nordeste em sua última encarnação.

Seu reconhecimento era fácil, pois sempre se apresentava com o lema: “A treva nunca foi barreira para a luz que vem do Senhor.”

Quando Formiga voltava a si, não acreditava nos relatos da esposa e tinha a impressão apenas que adormecera.

José Ferreira Sá: seu pai, seu mentor

Relutante quanto à aceitação do fenômeno, a contragosto concordou em frequentar a Escola de Médiuns da Federação Espírita de São Paulo.

Já um pouco mais orientada, Annabel passou a conversar e pedir orientação aos espíritos que incorporavam em Formiga, como ocorria com o pai do médium, José Ferreira de Sá.

Frei Martinho, certo dia disse-lhe enfático, quando Annabel perguntou o que fazer para que Formiga acreditasse na espiritualidade: “Esta mão pode escrever. Dê-me papel e lápis.”

Em seguida escreveu:

“O fruto bom é da árvore plantada em chão de fé. Orai por ele e por esta mão pesada, pá cavadora em Terra de paz. Orai em função de uma alma boa, mas que deu muito pouco do que lhe foi confiado”.

Voltando a si, Formiga ainda não acreditou e interpretou o fato como sendo alucinação de sua parte.

Annabel guardava no coração os relatos comoventes de “Ferreira”, pai de Formiga, quando incorporado no filho, contava-lhe sobre os desdobramentos do médium.

Durante o sono, Formiga recordava-se dos compromissos assumidos com a mediunidade antes de reencarnar e suplicava aos seus mentores, dentre eles Ferreira, o auxiliassem a encarar a tarefa.

Inclusive, pedia-lhes que, caso não se transformasse, que eles o levassem deste plano para que a queda não fosse maior.

O velho amigo baiano: Divaldo Pereira Franco

Quando voltava a si, Formiga permanecia incrédulo quanto às comunicações de que ele próprio era intermediário. Todavia, chamavam-lhe à reflexão.

Um dia telefonou de São Paulo para Salvador e marcou uma entrevista com Divaldo Pereira Franco, amigo que já o havia visto declamando em seus em recitais de poesia na Bahia.

Divaldo o receberia na Mansão do Caminho. Formiga tomou o primeiro avião, a fim de conversar pessoalmente com o médium baiano.

Lá chegando, Divaldo, que estava abrindo a porta do Centro, antes de saudá-lo, lhe disse:

“Você veio saber se o frade existe? Então, Formiga, pode acreditar, ele existe sim. É o Frei Martinho, um franciscano que viveu no Nordeste, famoso por sua obra apostolar! Ele me pediu que abrisse a porta, pois você  havia chegado”.

Formiga estarreceu-se!

Na mesma noite, durante a reunião evangélica, recebeu bela mensagem psicográfica do espírito Joanna de Angelis, exortando-o à tarefa mediúnica.

Ainda assim, não se sensibilizou profundamente.

E foi nesta mesma época que os espíritos sensibilizavam a mediunidade de seu filho mais jovem, Marcus Vinícius, o Quito, quando este passou a demonstrar os mesmos fenômenos.

Ora incorporado com terrível agressividade, em que cinco adultos não tinham controle sobre ele, ora qual criança sensível em sua vidência, detalhando quadros e aparições das mais diversas.

E Annabel, na esperança da aceitação de Formiga, tentava sensibilizá-lo ainda mais : “- Veja só, agora com seu filho!”

Formiguinha de Luz

Seu próximo passo foi visitar a Chico Xavier, alguém a quem sempre admirou e sentia profundo respeito, mesmo antes de conhecer a Doutrina Espírita.

No Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Formiga aguardava na fila para seu primeiro contato com o Chico Xavier.

Eurícledes Formiga e Chico Xavier
Com Chico Xavier, o primeiro abraço

De repente, Chico, em meio a todos, lhe diz em voz alta: “- Formiguinha de luz, há dez anos te espero!”

Mais do que as lágrimas que rolavam pela face, este episódio foi o que faltava para que Formiga se engajasse definitivamente às tarefas espíritas.

Guiomar e o Perseverança

Em 1972, o casal, pelas mãos do poeta e amigo espírita, José Soares Cardozo, foi encaminhado para o Centro Espírita Perseverança.

Sob a orientação de Guiomar Albanese, Formiga deixou fluir a belíssima mediunidade que consolava corações sofridos pela perda de entes amados, em cartas psicografadas.

Em 1973, foi a primeira vez que Formiga sentou-se à mesa no “Perseverança” para a psicografia.

Em 1975, como ele próprio dizia, os poetas e cantadores já começavam a fazer fila para transmitir seus versos através de sua caneta mediúnica.

Aliás, Formiga confidenciava que, muito embora sua própria carreira literária havia interrompida, sentia-se feliz em ser o instrumento da espiritualidade.

Compartilhava da felicidade destes e, por si só, esta recompensa era maior do que outra láurea que pudesse receber com suas criações.

Desta forma, proporcionou à bibliografia espírita ótimas obras psicografadas, quatro delas em parceria com Chico Xavier.

Desencarnou a 09 de maio 1983.

Desde então, passou a se utilizar da mediunidade de seus filhos, Quito Formiga e Miguel Formiga,  para mostrar-se presente.

Certa vez, Chico Xavier disse a Miguel Formiga, ao ler um poema de Eurícledes Formiga psicografado por ele:

” – Miguel, Formiga foi, mas não foi! Está presente entre nós com seus poemas. É ele mesmo!”

Sua história completa, e rica em detalhes, consta do livro “Eurícledes Formiga – de poeta a médium”, escrito por seu filho, Miguel Formiga.