O Centro Espírita Perseverança comemora aniversário todo dia três (03) do mês de outubro, desde a sua fundação no ano de 1962. Em homenagem a essa Casa de amor, de tanta caridade e que serviu de benção maior na vida do tão querido e amado poeta Formiga, Eurícledes Formiga, resolvemos contar um pouco da sua história, para que o “Perseverança” ainda esteja - e para sempre - ligado a ele, como era de sua vontade.
A história de qualquer obra religiosa, cultural, esportiva ou científica confunde-se, em seus tempos iniciais, com um período da vida de uma pessoa ou de um grupo para os quais uma série de fatores culminam com a necessidade de criação da obra. A história do”Perseverança” não apresenta exceção a essa regra. Para que se possa compreender melhor os fatores que levaram à criação do Centro e os seus primeiros tempos, devemos remontar à década de 50, quando a nossa Presidente teve os seus primeiros contatos com o Espiritismo e com Dr. Bezerra de Menezes, o líder espiritual da Casa.
Em 1953, a jovem Guiomar de Oliveira, filha de família protestante, busca na Federação Espírita do Estado de São Paulo a explicação para alguns fenômenos, de origem mediúnica, que com ela ocorriam e para os quais a sua crença religiosa não apresentava interpretação que a satisfizesse. Acolhida na Federação, esclarecida e orientada por espíritas da parte de Edgard Armond, J. Herculano Pires e Vinícius, entre outros, a jovem passa a interessar-se vivamente pela Doutrina. Matriculava-se, no mesmo ano, em diversos dos cursos oferecidos pela Federação e passa a estudar, com entusiasmo, o Espiritismo. Em pouco tempo inicia sua participação nos trabalhos mediúnicos da Casa, através da sua mediunidade psicofônica.
Já nessa época a nossa Guiomar apresentava vidência e é através dessa mediunidade que ocorre, no mesmo ano, seu primeiro contato com Bezerra de Menezes, que a partir de então passa a orientá-la em todos os seus trabalhos na seara espírita.
Guiomar trabalha na Federação de 1953 a 1956, ano em que se casa com Serafim Albanese, transferindo-se, o casal, para Bauru onde permanecem por um ano.
De volta a São Paulo o casal fixa residência na Vila Diva, e Guiomar reassume seu trabalho junto á Federação. Naquela época a Vila Diva era um bairro bastante pobre. Impossibilitados de participarem dos trabalhos na Federação, devido a grande distância e a dificuldade de transporte, muitos dos vizinhos do casal, sabedores de suas atividades naquela entidade, frequentemente acorrem à sua residência a fim de solicitarem a aplicação dos passes, no que são sempre atendidos. Porém, como a execução desse tipo de trabalho no Lar não é indicado, Dr. Bezerra de Menezes adverte Guiomar sobre os prejuízos provocados em seu ambiente doméstico e aconselha-a a providenciar um local, fora do lar, para continuar oferecendo aquela assistência.
Posto a par das recomendações recebidas do Plano Espiritual, o Sr. Albanese incumbe-se de construir um salão no terreno da garrafaria de sua propriedade, localizada à Rua Grecco, 373. Guiomar parte, então, para Uberaba a fim de buscar a orientação de Francisco Cândido Xavier.
Chico Xavier constata a presença de Dr. Bezerra junto a Guiomar a orientá-la no sentido de iniciar os trabalhos do Centro, apenas com a aplicação de passes e evangelização. O próprio Dr. Bezerra indica o nome: “Centro Espírita Perseverança”, para cumprir o trabalho árduo e incessante a que se destina a Casa. Após dois meses, encontram-se concluídas as obras e a 03 de Outubro de 1962 tem início os trabalhos do Centro Espírita Perseverança, num pequeno salão de 3 por 5 metros. Inicialmente o número de freqüentadores é pequeno, porém, após seis meses o salão já se mostra muito pequeno diante do número de pessoas que aflui a cada sessão. A Casa que iniciara suas atividades contando apenas com o casal Albanese vê, então, seu quadro de trabalhadores principiar a crescer.
Incorporam-se a esse quadro novos e novos seareiros e amigos espíritas. O número de freqüentadores cresce rapidamente e em pouco tempo surge a necessidade de novas acomodações. Corre o ano de 1964, quando o grupo de trabalhadores decide formar a primeira Diretoria, constituir os estatutos e providenciar os registros necessários para a oficialização do Centro. Neste mesmo ano decidem adquirir um terreno para a construção de uma sede própria compatível com o crescimento que se verifica na freqüência de público às sessões. Porém, os recursos financeiros são escassos e não são aceitas contribuições dos freqüentadores. A Diretoria decide, então, organizar chás e festas beneficentes para levantar o montante necessário para essa aquisição. E como a mão do Senhor está sempre estendida para amparar seus filhos devotados ao Bem, o “Perseverança” consegue adquirir o terreno da Rua Bruna. Adquirido o terreno faltam recursos para a construção do prédio. Mesmo assim, os trabalhadores, com perseverança e fé em Deus, decidem elaborar a planta e erguer o prédio.
Os tijolos são doados graças à intercessão de pessoas amigas junto a olarias em Itu e Campinas. O transporte desse material é feito, pelos trabalhadores, em carretas cedidas por empréstimo ao Perseverança, nos finais de semana. A construção é levada a cabo por um mutirão formado pelos trabalhadores e freqüentadores da Casa.
Cada parede do salão que ainda nos abriga e que já foi reformado por algumas vezes foi construída pelas mãos de metalúrgicos, médicos, pedreiros, advogados, vendedores, operários e patrões, pobres e ricos, que fraternalmente, arregaçaram as mangas das camisas para empreender uma construção sólida em amor, dedicação e seriedade.
O “Perseverança” atualmente com o Serviço Social Perseverança mantém 08 (oito) creches e 03 (três) Centros de Juventude, atendendo a mais de 1500 crianças carentes, realizando uma Obra Assistencial de muito apreço para todos nós, que fazemos parte desse extenso núcleo de amor. Anualmente, são realizados outros projetos imensos como as distribuições de cestas básicas, roupas e brinquedos no sertão nordestino. Centenas de trabalhadores voluntários visitam os lares dos irmãos que lá vivem e que tanto sofrem a seca, a fome e o abandono na caatinga, num verdadeiro mutirão de prece, canto e alegria, distribuindo o amor representado na cesta de alimentos. Milhares de cestas são levadas na época de Natal. E a “Vila Agrícola do Bem”, no município de Buíque/PE, que alberga mais de cem famílias com infra-estrutura auto sustentável, garantindo trabalho com carteira registrada e moradia. São os “Amigos do Bem” levando amor ao Sertão de Pernambuco, Ceará, Alagoas e outros estados do Nordeste, trabalho dirigido pela Presidente Alcione de Albanese.
Finalmente, a 31 de Maio de 1971, inaugura-se a então nova sede do Centro Espírita Perseverança. Foi justamente nesse ano que Eurícledes Formiga chega à casa e inicia, em seguida, após alguns tratamentos, suas tarefas mediúnicas de conforto aos corações aflitos que o procuraram no transcorrer de sua jornada de trabalho espiritual.
Durante aproximadamente 9 anos foi médium psicógrafo no “Perseverança”, e consolou com sua mediunidade muitas famílias que iam ao seu encontro em busca de amenizar a saudade deixada pelos entes amados que partiram para a Pátria Espiritual, e que podiam através de suas mãos transmitir-lhes a mensagem confortadora.
Na tarefa abençoada da psicografia Eurícledes Formiga publicou vários livros, alguns deles em parceria com Chico Xavier.
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